estética do frio

Debaixo das cobertas, com preguiça de escrever, aproveito as fotos bonitas da Mirella pra mostrar que o inverno pode não ser tão ruim (ok, é mentira, não gosto de inverno e pronto!):

 

Volta à Ilha 2011

Volta à Ilha 2011 - 150 km

Começou assim, às quatro da matina.

Amanheceu...

Forza! (na subida, a recomendação é caminhar)

Aguardamos a última colega para correr os 200m finais e cruzar a linha de chegada com ela!

Digão, Henrique, Edu e Raymond

Ontem à noite eu estava no supermercado me abastecendo pro feriadão quando o telefone tocou. Era a mãe querendo saber se eu iria lá, no dia seguinte, comer bacalhau. Confirmei.

Hoje me dirigi à sua casa, bati à porta e ninguém atendeu. Silêncio total. Estranho. Bati mais duas vezes e nada. Liguei pro celular.

– Onde é que vocês estão? – perguntei.
– Em casa, te esperando! – disse o pai.
– Como assim em casa? Eu estou aqui na porta.
– Em casa, na praia. Tu não sabia?

Não, não sabia. Podiam ter sido mais claros. E, agora, podiam comer o bacalhau.

Nesse ínterim, meu tio me mandou uma mensagem. Liguei para ele e perguntei se já tinha almoçado. Disse que estava na casa do meu outro tio, insistiu que eu fosse lá. Eu disse que não, não. Não fui.

Fui até o Moinhos de Vento. Escolhi uma mesa na rua, preparei um prato bem colorido. O dia estava lindo e eu fiquei quase muito à vontade comendo sozinha. Na mesa da frente, um rapaz da minha idade (tenho uma amiga que ri muito quando eu falo assim, um rapaz, ela acha que é antigo, mas como se referir a homens da nossa idade? Cara, carinha, jovem, sujeitosenhor? Substituí por gatinho uma vez e caí no ridículo do outro extremo. Uma outra amiga sugeriu “bofe”, o que para mim é um termo gay. Já rapaz, dito com uma pontinha de ironia, nos remete a assunto antigo, do tempo da nossa avó, a unir comadres, mães e filhas – embora não seja esse o tema do post.) –.

Bem, o rapaz almoçava com o filho, que devia ter uns quatro, cinco anos, o Digão. Eu comia e olhava pra rua e, com o canto do olho, eu observava os dois. Não podia ficar olhando reto porque o pai do Digão ia achar que eu estava dando em cima dele (pois é, e se estivesse?).

O Digão tinha uma coleção de carrinhos e carrões em cima da mesa. De tempos em tempos o pai lhe dava umas colheradas do próprio prato e ele aceitava distraído. O Digão passaria o dia com o pai. Às oito, seria devolvido para a mãe. No dia seguinte, voltaria para o pai. “Está bom, assim, Digão?”. Acho que estava, não houve resposta.

O Digão derrubou um carrinho da mesa e se abaixou pra juntar. Nesse momento, um outro garotinho, de camiseta, bermuda e tênis que nem o Digão, surgiu na calçada. “Olha quem está chegando, Digão!”. Era o Henrique, acompanhado do seu pai e da sua mãe. “Que coincidência”.

O pai do Digão e os pais do Henrique se cumprimentaram, e o Henrique saiu correndo. A mãe do Henrique explicou pro pai do Digão que ele sempre fazia isso quando encontravam algum conhecido: “Hoje mesmo, encontrei uma amiga no Parcão e…”. O pai do Digão entendia: “O próprio Digão…”.

O Digão foi atrás do amigo. E eu os acompanhei com o pescoço e os olhos, pensando se não iam se jogar no meio da rua. O pai do Henrique foi atrás deles. Reapareceu com os dois e foi procurar uma mesa. O Digão voltou para o seu pai. Ele mal tinha sentado quando avistei na calçada mais um menino, da mesma altura. Achei (sem achar realmente) que podia ser outro amiguinho. Balancei a cabeça, sorri e ouvi a voz do Digão: “Pai, o Edu!”. Eu olhei pro pai do Digão por um segundo, ainda sorrindo, e ele sorriu também, surpreso: “Nossa, é o Edu mesmo!”

*

De manhã, eu estava trabalhando num texto e fiz uma pausa para ler um pouco. Achei que podia me inspirar na forma de escrever do Raymond Carver (queridinho das oficinas literárias). Eu tenho um livro, com 68 contos dele, que deixei para ler pouco a pouco, não todo de uma vez. Foi engraçado, porque no texto que estava escrevendo eu dava vazão a sonhos e o intitulei de “insônia”, e retomei a leitura do Carver exatamente num conto em que ele falava disso, insônia e outras cositas.

Não que eu tentasse escrever como ele, mas é um escritor muito inspirador por ser bastante visual, livre, espontâneo. Faz com que fiquemos atentos aos detalhes do dia-a-dia, ao desenrolar da vida diante do nosso nariz. Mesmo que a realidade possa não ser essa, a ideia que ele passa é de que não está preocupado com aonde vai chegar – vai indo, indo, e no fim acaba chegando (se bem que isso é próprio de todo bom escritor: nos mantém tão entretidos, que nem percebemos que o texto está chegando ao fim). Acho que é um modelo do que se poderia chamar de “contista contemporâneo” (?).

E foi por causa do Raymond Carver que escrevi esse post meio sem rumo (espero não ofendê-lo no túmulo), de um momento despreocupado, contemplativo. Claro, pra virar um conto é preciso mais. É preciso seguir adiante, relacioná-lo a outros eventos, lapidá-lo. Já para o blog está de bom tamanho! :-)

*

Quanto ao conto que eu estava escrevendo, o Carver serviu pra me mostrar que ainda há muito a evoluir.

*

Se eu tivesse categorias por aqui, inseriria este post na série ”Porto Alegre é um ovo”. Mais especificamente, um ovo de Páscoa (hehe, como sou engraçada!).

vista da minha janela

publicidade em livros didáticos

Eu, que tinha achado o Chile tão civilizado e os estudantes tão bonitinhos, vestindo até gravata, agora leio no UOL a seguinte notícia:

Governo chileno aprova anúncios publicitários em livros didáticos

Entre o abecedário e a tabuada, estudantes menores de 12 anos estão recebendo nas escolas privadas do Chile um bombardeio de propagandas feitas por empresas multinacionais, como a Claro, do setor de telefonia, a Monarch, fabricante de bicicletas, e a Nestlé, gigante mundial produtora de alimentos.

Os banners, jingles e reproduções de outdoors aparecem entre diálogos de personagens infantis e inseridos em exercícios de leitura em voz alta. As editoras do Chile dizem não receber nada pela propaganda e o Ministério da Educação define o conteúdo como exemplos de textos “autênticos e de circulação nacional”.


Propaganda de suco em livro didático. Ao lado, exercícios para interpretar o produto.

Em alguns livros, os anúncios aparecem em página inteira. Em outros, sites de empresas privadas estão indicados no final das lições, como sugestão de leitura para os estudantes.

Em um dos livros, o enunciado convida o estudante a cantar: “Meu primeiro Claro (celular) é a forma mais legal de falar com meus amigos. Meu primeiro Claro é estar longe e me sentir em casa. Se fala Claro, é claro que tem mais.” O conteúdo é apresentado como um modelo de texto publicitário para alunos da 5ª série.

Valparaíso

Há muito para olhar em “Valpo”. Casas coloridas, muros pintados por artistas reconhecidos (ou nem tanto), becos e ruelas, fios por toda a parte. A cidade é cheia de morros, aos quais se tem acesso por ascensores que são monumentos nacionais.  

Hotel Brighton: quase parece que vai cair de tão na ponta!

Adoramos o hotel e não ficaríamos noutro lugar, mas é bom alertar que alguns quartos são pequenos; quem preferir algo mais moderno, pode ir lá apenas para jantar.

Belo local para se tomar o café da manhã.

Vitrais no interior do hotel.

Ascensor Concepción (São 15 ascensores - ou elevadores - que comunicam as partes altas e baixas da cidade. Eles foram declarados monumentos nacionais.)

Em idade escolar, todos estão de uniforme.

Pergunte qualquer coisa à Cíntia.

Enfeites de Natal em março.

Vendedora de joias.

Simpáticos.

Os fios estão para Valpo como os cachorros estão para o Chile de modo geral.

Foi uma longa perseguição, que terminou com a dona do gato recolhendo o bichano.

Até parece que são os gatos que dominam o Chile. Mas não, são os "perros".

“cafés con piernas”

O Roger escreveu um belo post sobre os cafés con piernas de Santiago usando as fotos que enviei a ele. Para conferir, clique aqui.

Asteroide B-612

Contei que entramos por acaso em um café em Valparaíso e uma dupla se apresentou dizendo que iria cantar uma música – se gostássemos, podíamos adquirir o CD. Na hora pensei “ih, mais um”, mas foi só começarem a cantar pra eu mudar de ideia. Tão lindinhos. Cheguei a gravar um vídeo, mas com a câmera virada!

Aí vai um outro (que é ótimo, porque dá bem uma ideia de como é a cidade!):

 

Capítulo IV

Eu aprendera, pois, uma segunda coisa, importantíssima: o seu planeta de origem era pouco maior que uma casa!

Não era surpresa para mim. Sabia que além dos grandes planetas – Terra, Júpiter, Marte ou Vênus, aos quais se deram nome – há centenas e centenas de outros, por vezes tão pequenos que mal se vêem no telescópio. Quando o astrônomo descobre um deles, dá-lhe por nome um número. Chama-o, por exemplo: “asteróide 3251″.

Tenho sérias razões para supor que o planeta de onde vinha o príncipe era o asteróide B 612. Esse asteróide só foi visto uma vez ao telescópio, em 1909, por um astrônomo turco.

Ele fizera na época uma grande demonstração da sua descoberta num Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém lhe dera crédito, por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim.

Felizmente para a reputação do asteróide B 612, um ditador turco obrigou o povo, sob pena de morte, a vestir-se à moda européia. O astrônomo repetiu sua demonstração em 1920, numa elegante casaca. Então, dessa vez, todo o mundo se convenceu.

Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?” Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”. Então elas exclamam: “Que beleza!”

Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612″ ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.

Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer:

“Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo…” Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro.

Porque eu não gosto que leiam meu livro levianamente. Dá-me tristeza narrar essas lembranças! Faz já seis anos que meu amigo se foi com seu carneiro. Se tento descrevê-lo aqui, é justamente porque não o quero esquecer. É triste esquecer um amigo. Nem todo mundo tem amigo. E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números. Foi por causa disso que comprei uma caixa de tintas e alguns lápis também. É duro pôr-se a desenhar na minha idade, quando nunca se fez outra tentativa além das jibóias fechadas e abertas dos longínquos seis anos! Experimentarei, é claro, fazer os retratos mais parecidos que puder. Mas não tenho muita esperança de conseguir. Um desenho parece passável; outro, já é inteiramente diverso. Engano-me também no tamanho. Ora o principezinho está muito grande, ora pequeno demais. Hesito também quanto à cor do seu traje. Vou arriscando então, aqui e ali. Enganar-me-ei provavelmente em detalhes dos mais importantes. Mas é preciso desculpar. Meu amigo nunca dava explicações. Julgava-me talvez semelhante a ele. Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.

Santiago

Escrevi todo o dia-a-dia da viagem no blog Cochabamba (acho que ficou cansativo, mas vou gostar de lembrar depois), então aqui vou somente publicar algumas fotos, organizadas por cidades: 

Andes Hostel, limpinho, econômico e bem localizado

Apart-hotel na Lastarria: mais conforto nos últimos dias de viagem

Rua Lastarria, nosso endereço na etapa final. Tem sempre uma feirinha de livros ou antiguidades.

A tradição do "once", que é a happy hour ou o chá da tarde chileno. No tempo da Lei Seca, era o código para se beber a-g-u-a-r-d-i-e-n-t-e, que tem "onze" letras. Ah, detalhe: o texto da toalha de papel é um poema de Fernando Pessoa.

Entrada do Cerro Santa Lucía

Vista de cima do cerro. Um pouco mais acima a Cíntia perdeu a lente dos óculos.

Bar Liguria: o mais amado pelos santiaguinos

Cerro San Cristóbal: os ciclistas repõem as energias com o "motte con huesillos", que é uma espécie de calda de pêssego, com pêssego e uns trocinhos no fundo que parecem milho. Dispensável :-)

Apreciando a vista.

Almoço no Mercado Público: a centolla inteira custa uns 100 dólares, mas também dá pra comprá-la em pedaços. Eles têm esse jeito de arrumar os guardanapos, que me dava até pena de desarrumar.

Estações de metrô abrigam exposições.

Dispensa comentários

Testando o zoom da máquina velha

Visita à vinícola Concha y Toro: direito à degustação de dois vinhos.

Centro: o antigo e o moderno

Essa é pro Roger: um dos famosos "cafés con piernas", no centro da cidade.

Arranha-céus do bairro El Golf

Lei da atração: estátua e pombo

lobos marinhos em Valdívia

Meu primeiro vídeo no youtube! Assistam com som! :-)